Todos nós nos comunicamos por várias linguagens. Das palavras às roupas que usamos, tudo é comunicação, é forma de expressar quem somos. Mas crianças pequenas, em especial, possuem um repertório muito mais rico de "linguagens" que os adultos: desenhando, pintando, falando, modelando, recortando e colando, rindo, chorando, brigando, cantando, dançando ou brincando, elas se expressam. Se comunicam ouvindo e contando histórias, organizando seus objetos, lidando com suas necessidades e desejos.
Mas, afinal, que concepção de linguagem é essa que pode ser aplicada indiscriminadamente à oralidade, à escrita, à arte, ao brincar, ao aprender, ou seja, a coisas tão diferentes umas das outras?
O conceito foi cunhado pelo filósofo, lógico e matemático norte-americano Charles Sanders Peirce (1830-1914), um dos maiores pensadores da comunicação que definiu linguagem como todo e qualquer processo de produção de cognição e significação (da cultura e da natureza), e de suas propriedades e funcionamentos. Estamos falando de linguagens, verbais e não verbais.
Na concepção de linguagem em Pierce e na Teoria Semiótica há um conceito chave - o de signo - que é tudo aquilo que é capaz de evocar objetos e pessoas ausentes e acontecimentos passados através de significantes variados. Basta pensar na palavra "flor" ela pode adquirir vários significados e criar uma idéia em torno dela.
Mas por que escolhemos um tema tão complicado para trabalhar com crianças pequenas? Porque ao conquistar a função semiótica ou a capacidade de representação, a criança se insere no mundo social. A criança representa objetos, pessoas e situações vivenciadas de muitas formas, mas principalmente ao brincar (na imitação e no faz-de-conta), ao desenhar, ao falar e, mais tarde, ao escrever.
O projeto institucional em torno das linguagens da criança será desenvolvido em todas as turmas da escola, sendo adaptado em cada turma de acordo com o desenvolvimento das crianças. Começamos nomeando as turmas nas várias etapas da educação infantil. Para cada turma, uma linguagem: a música, a brincadeira, o desenho, a fala e a escrita.
No decorrer deste trabalho, os alunos cantaram, dançaram, brincaram, jogaram, conversaram, contaram e ouviram histórias, pesquisaram e discutiram sobre assuntos de seu interesse e sobre os fenômenos que iam observando à sua volta. Na busca de compreensão sobre si mesmas e o mundo, as crianças transformaram todas essas linguagens em conteúdos curriculares em ação.