A família moderna desenha uma nova equação: mães e pais compartilham cada vez mais as funções domésticas e a educação dos filhos Os números da recente pesquisa realizada pelo Ibope Mídia Brasil são claros e expõem mudanças: 73% das mulheres que vivem nas principais regiões metropolitanas do país dividem as atividades da casa com os parceiros. É surpreendente?
Nem tanto. Parece ser uma mudança natural e necessária do homem (e pai) que hoje em dia convive com uma companheira que tanto realiza as tarefas da casa, como tem e cuida dos filhos. As mães contemporâneas precisam trabalhar, manter a casa, estudar, fazer compras, encontrar com os amigos, se divertir, arranjar um tempo para si mesmas e para o marido.
Por isso, também de acordo com a pesquisa, 68% dessas mulheres dizem que é difícil conciliar trabalho, maternidade e casamento. São muitos os deveres e muitas responsabilidades. Chegar ao equilíbrio não é fácil, porém, talvez seja o ideal para as mães, pais e, é claro, filhos. Todos têm a ganhar quando, na casa, existe o espírito de cooperação e o compartilhamento das funções e das tarefas.
O lar deve despertar na criança o sentimento de amor, proteção, equilíbrio e segurança. Porém, esse ambiente emocional só é possível quando os adultos responsáveis por sua manutenção não se sentem sobrecarregados por deveres que podem ser divididos harmoniosamente.
Está claro que, atualmente, os homens se preocupam mais em participar da educação do filho e das tarefas da casa. E isso é essencial e mostra maior sensibilização e flexibilização do masculino, além de indicar um movimento participativo muito importante para a segurança e a estabilidade da família.
Ensinar a criança a ser independente e responsável por suas ações é uma tarefa que não é determinada por sexo, credo ou educação especializada. Depende, primeiro, de bom senso, o tempero para um bom relacionamento familiar Mesmo com a evolução apresentada pela pesquisa, ainda há muito espaço para desenvolver o "aspecto cuidador" do homem: o lado provedor das mulheres está mais ativado – no Brasil, mostra o estudo do Ibope, cerca de 43% das famílias são chefiadas por elas -, já o aspecto cuidador pode ser desenvolvido nos meninos desde cedo, mas para isso muito preconceitos precisam ser superados, até mesmo o clássico "meninos não brincam com bonecas".
Quando meninos e meninas brincam de casinha, de cuidar dos bonecos – que na verdade são seus filhos – estão construindo pilares de parceria. Da mesma forma, quando os meninos são solicitados a colaborar com os irmãos menores, também estão desenvolvendo o aspecto cuidador.
Não existem obrigações domésticas exclusivas para meninos e meninas. Todos precisam comer, dormir, alegrar-se, higienizar-se, analisar, interagir e o melhor lugar para aprender tudo isso é na própria família. Veja algumas dicas para incentivar as crianças e pais a dividir as funções:
Flávia Benvenga